Executivos



Carlos Ghosn é preso no Japão

Por Redação AutoData

- 19/11/2018

São Paulo – O brasileiro Carlos Ghosn, um dos principais executivos da Aliança Renault Nissan Mitsubishi, foi preso na segunda-feira, 19, em Tóquio, no Japão, sob acusações de evasão fiscal. A denúncia partiu da própria Nissan, empresa que o executivo salvou da bancarrota e devolveu ao protagonismo da indústria automotiva global, após auditoria interna motivada por denúncias de funcionários.

 

Uma nota foi divulgada pela companhia japonesa informando que as suas investigações apontaram que Ghosn e o diretor Greg Kelly relataram às autoridades, durante muitos anos, salários inferiores aos efetivamente recebidos. Mais: “além disso, relativos a Ghosn, diversos outros atos significativos de má conduta foram descobertos, como o uso pessoal de ativos da empresa”.

 

O presidente da Nissan, Hiroto Saikawa – que assumiu o posto de Ghosn no ano passado por sua indicação, deixando o brasileiro apenas com a presidência do Conselho –, concedeu entrevista à imprensa após a divulgação do comunicado. Pediu desculpas aos acionistas, funcionários e clientes da Nissan, se disse “indignado, frustrado, decepcionado e desesperado”, mas garantiu que a tríplice aliança não será afetada.

 

Durante a tarde de segunda-feira, 19, as ações da Renault caíam 8,4% na Bolsa de Valores de Paris e as da Nissan 6,3% em Frankfurt. A companhia francesa também emitiu um comunicado, explicando que fora alertada pela Nissan a respeito das atitudes de Ghosn e que reuniria sua diretoria em breve para estudar os próximos passos – na Renault, Ghosn segue como chairman e CEO.

 

A Nissan também se reunirá nos próximos dias. A sugestão do presidente Saikawa é expulsar Ghosn e Kelly de seus atuais cargos na direção da companhia.

 

De acordo com o jornal El Pais, citando a emissora japonesa NHK, a fraude supostamente cometida por Ghosn supera os R$ 160 milhões. Nascido em Porto Velho, RO, o executivo descendente de libaneses ingressou na Nissan em 1999, após a compra de parte do controle pela Renault, empresa que já havia passado por uma reestruturação tendo o brasileiro como um dos principais executivos.

 

Em 2016, a Mitsubishi entrou na Aliança Renault Nissan e também passava por uma fase de reabilitação. A ideia de Ghosn, que virou uma celebridade no Japão por causa do seu protagonismo na reestruturação da Nissan, era fundir as três empresas, criando um grande conglomerado global.

 

Foto: Divulgação.